terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

ESCURIDÃO

escuridão
sobre os telhados orgulha-se
de ser escuridão
a asa negra
do anjo negro
de madrugada
paira suave a despeito da lua
eu nada vejo
eu nada sei
ainda que tentem
me convencer do azul
do amarelo
sinto que todas as cores são falsas
o vermelho, o verde, enfim, todas são ilusões
de luz
o breu absoluto
a cegueira
o nada.

escuridão
sobre as cabeças orgulha-se
de ser escuridão
a língua negra
da serpente negra
desafia com a noite
a pálida autoridade da lua
eu nada vejo
tu nada vês
ainda que desperto
ao cume da meia-noite
ao pé do céu
que reflete o chão
e vice-versa
num sem fim
o tempo morto
a alienação
o nada.

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