a grama alta crescia
e o caminho desaparecia
nem luz nem brilho
nem estrela-guia
onde os pés tocavam
estrada não se via
e o homem descalço
o chão debaixo de si não sentia
a cabeça apontada para a lua
o nariz roçando o infinito
a grama alta sim crescia
às onze horas no meio da rua
rasgava o asfalto a tenra erva
tudo sumia enquanto ela crescia
o céu importância perdia
pois diferença entre noite e dia
não havia
e o homem cansado
despojado de seu terno surrado
a boca seca, a vista ardia
a mão acenando perdida
a boca seca de sede queimava
a grama alta mais crescia
o rumo a andorinnha perdia
de tanto que a erva sufocava
tudo morria enquanto ela crescia
o mar afogou-se em daninhas
para desgraça das criaturas marinhas
abandonadas, sozinhas
e o homem descrente
do último pão não comia
a ceia lhe dava azia
o coração enlutado tremia
a alma pusilânime gemia
enquanto a grama crescia...
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
ESCURIDÃO
escuridão
sobre os telhados orgulha-se
de ser escuridão
a asa negra
do anjo negro
de madrugada
paira suave a despeito da lua
eu nada vejo
eu nada sei
ainda que tentem
me convencer do azul
do amarelo
sinto que todas as cores são falsas
o vermelho, o verde, enfim, todas são ilusões
de luz
o breu absoluto
a cegueira
o nada.
escuridão
sobre as cabeças orgulha-se
de ser escuridão
a língua negra
da serpente negra
desafia com a noite
a pálida autoridade da lua
eu nada vejo
tu nada vês
ainda que desperto
ao cume da meia-noite
ao pé do céu
que reflete o chão
e vice-versa
num sem fim
o tempo morto
a alienação
o nada.
sobre os telhados orgulha-se
de ser escuridão
a asa negra
do anjo negro
de madrugada
paira suave a despeito da lua
eu nada vejo
eu nada sei
ainda que tentem
me convencer do azul
do amarelo
sinto que todas as cores são falsas
o vermelho, o verde, enfim, todas são ilusões
de luz
o breu absoluto
a cegueira
o nada.
escuridão
sobre as cabeças orgulha-se
de ser escuridão
a língua negra
da serpente negra
desafia com a noite
a pálida autoridade da lua
eu nada vejo
tu nada vês
ainda que desperto
ao cume da meia-noite
ao pé do céu
que reflete o chão
e vice-versa
num sem fim
o tempo morto
a alienação
o nada.
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